O futuro do trabalho é plural: o que a Inteligência Artificial nos ensina sobre habilidades humanas
- Estela Piccinini
- há 24 horas
- 2 min de leitura
Recentemente pude prestigiar a 1ª edição do Edu-CA, evento criado pelo Instituto Caldeira, em Porto Alegre, para debater a pauta "Educação para o mundo do trabalho".
Na última palestra do dia, o investigador de futuros Tiago Mattos, trouxe uma informação que fez muito sentido para mim:
"Qualquer futurologista sério não fala 'futuro', no singular. É plural."
O futuro será de alimentação orgânica ou sintética?
Da produtividade ou do bem-estar?
Da inteligência artificial ou do humano?
Ancestral ou inovador?
Futuro(s).
São realidades que coexistem.
Todos os painéis do evento abordaram o impacto da Inteligência Artificial no futuro do trabalho: no dia a dia das empresas, dos estudantes, dos trabalhadores e das lideranças.
E, apesar das diferentes perspectivas, havia um ponto em comum: a necessidade de desenvolvermos autoconhecimento e habilidades socioemocionais em um mercado onde o conhecimento técnico está mais acessível do que nunca.
É interessante pensar nisso. Quanto mais a tecnologia avança, mais importante parece se tornar aquilo que não pode ser automatizado com facilidade: nossa capacidade de perceber, interpretar, dar significado, escutar, criar relações, tomar decisões e lidar com a complexidade.
Eu já usei muito o ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial e posso dizer que, para mim, só dá certo quando uso com consciência: se exagero na conversação com a máquina, saio com mais acúmulo de informação do que soluções eficientes.
Preciso saber a hora de dar um passo para trás.E lembrar de usar algo menos moderno: a intuição.
Isso reduz as vantagens que a Inteligência Artificial já me trouxe? Não.
Acredito que a questão não esteja em escolher entre inteligência artificial e inteligência humana, tecnologia e intuição, produtividade e bem-estar.
E sim em desenvolver a capacidade de transitar entre essas realidades, com sabedoria.
Mesmo que haja quem queira transformar a resposta sobre como será a vida "no futuro" em uma única opção, viver não é uma equação matemática.
O futuro do trabalho não será necessariamente isso ou aquilo. Talvez seja isso e aquilo.
E ganhará mais quem souber navegar por realidades que se complementam, sem perder a capacidade de perceber, escolher e se posicionar diante delas.
No meio de tanta inteligência artificial, talvez uma das competências mais importantes continue sendo justamente esta: saber quando parar para escutar a própria.




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