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As lentes que usamos para liderar: como nossas crenças influenciam a comunicação e as decisões

Em uma conversa recente, fiquei pensando em como construímos as lentes através das quais vemos o mundo. Algo que aprendi estudando a Teoria U, de Otto Scharmer.

Boa parte das nossas crenças nasce da experiência.


Um exemplo comum é: se uma criança leva um choque ao colocar o dedo na tomada, ela aprende rapidamente que aquilo oferece perigo. Essa conclusão vira um atalho. E isso é bom, pois seria inviável reaprender tudo a cada nova situação.


No trabalho acontece algo parecido.


Ao longo da nossa trajetória profissional, acumulamos experiências e aprendizagens que passam a orientar a forma como enxergamos as pessoas, as equipes e as organizações. Depois de algumas experiências, criamos explicações sobre como as pessoas são, o que funciona, quem pode ser confiável, o que caracteriza uma boa liderança e como uma equipe costuma reagir às mudanças.


Essas conclusões baseadas em experiências nos ajudam a navegar com algum tipo de norte.


O problema começa quando esquecemos que ele é apenas um norte.


Novos contextos surgem. O mundo muda. Nós mudamos. As equipes mudam. As organizações também. Mas, muitas vezes, seguimos interpretando a realidade com lentes e crenças construídas em momentos diferentes.


É aí que surgem muitos dos nossos vieses.


Isso pode ter impactos importantes na liderança, na comunicação e na gestão de pessoas. Podemos, por exemplo, interpretar o comportamento de alguém a partir de experiências passadas, tomar decisões sobre uma equipe antes de realmente escutá-la ou acreditar que já sabemos como determinada pessoa irá reagir a uma mudança.

Não porque devemos ser sempre "imparciais". É importante reconhecermos que todos temos uma visão de mundo própria.


O ponto é perceber quando passamos a tratar nossa interpretação como se fosse a realidade.


Quando isso acontece, nossa capacidade de escuta diminui. Ficamos menos disponíveis para compreender perspectivas diferentes das nossas e mais propensos a confirmar aquilo que já acreditamos saber.


Para quem trabalha com liderança, gestão de pessoas, desenvolvimento de equipes ou recursos humanos, esse é um exercício especialmente importante.


Como estamos enxergando as pessoas que lideramos?

Que histórias contamos sobre nossa equipe?

Que crenças influenciam nossas decisões?

O que estamos deixando de perceber porque acreditamos que já conhecemos aquela situação?


“O Sucesso de uma intervenção depende da condição interior do interventor.'' Bill O'Brien

Talvez uma das habilidades mais importantes para quem lidera, facilita grupos ou toma decisões seja justamente essa: reconhecer as lentes pelas quais está olhando antes de concluir que já entendeu o problema.


Isso exige uma comunicação mais consciente, uma escuta mais disponível e a disposição para, em alguns momentos, desaprender para aprender novamente.


Porque, muitas vezes, transformar uma relação, uma equipe ou uma organização começa antes de mudarmos o que fazemos. Começa quando conseguimos perceber como estamos enxergando.



 
 
 

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© 2026 por Estela Piccinini

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